Márcia Porto

No meu trabalho, opero no campo simbólico. Eu exploro a relação entre literatura, fontes históricas, alquimia, histórias pessoais e eventos atuais. Eu crio narrativas auto-ficcionais contaminadas por essas referências. As narrativas se desdobram em séries de desenhos onde a presença das Ginaiques, um grupo de mulheres simultaneamente auto-referenciais e estrangeiras, e que se comunicam através de longas tranças, é recorrente.

Entre a palavra e a criação da imagem, interpreto ritualisticamente as cenas que aparecem. Dessas performances nascem os movimentos, os gestos e o tempo das composições dos desenhos. Pensamentos multifacetados, os desenhos também são retrabalhados em pinturas, murais, instalações e performances, onde experimento estender as relações espaciais e ritualísticas geradas nas narrativas através de operações recorrentes.

 

* Os Ginaiques (γυναίκες significa mulheres em grego)

 

Dizem que essas mulheres ansiavam por um lugar para vir. Vagando como estavam, eles passaram um dia em quatro palavras: inversão, transposição, inundação e irradiação. Muitas gerações atrás, os Ginaiques esqueceram sua origem e, libertados da ordem do tempo, evocam:

 

- "Quando deixamos a porta aberta?"

    © 2017 by Márcia Porto

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